Nem todo mundo precisa de remédio para emagrecer, mas, para quem tem obesidade, ele costuma fazer a diferença entre conseguir e não conseguir. A decisão depende da sua história, do seu metabolismo e de como o peso está afetando a sua saúde, e o remédio entra sempre junto com alimentação, atividade física e sono, nunca no lugar deles.
Essa é uma pergunta que eu escuto quase todos os dias nos meus atendimentos. E a resposta começa sempre pela mesma coisa: entender a sua história.
Como eu decido se você precisa de remédio?
Na consulta, eu investigo a história inteira: quando o ganho de peso começou, quanto foi, o que você já fez para emagrecer, quais foram as dificuldades, e toda a parte genética, metabólica e hormonal. É a partir disso que a gente decide como vai ser o tratamento e se ele vai precisar de medicação.
A Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade 2026, da ABESO, indica o remédio quando o IMC está a partir de 30, ou a partir de 27 quando já existe alguma complicação ligada ao peso. A mesma diretriz diz que ele pode ser considerado também quando a cintura está aumentada e já há complicação, mesmo fora desses números.
Na prática, quando já existe gordura visceral aumentada, aquela que fica na barriga e em volta dos órgãos, e uma inflamação importante no corpo, a tendência é começar a medicação. Esse corpo já precisa de uma intervenção, porque o metabolismo e a inflamação estão trabalhando contra ele.
Só com alimentação e atividade física eu não consigo?
Dá para perder peso, e isso tem muito valor. No estudo Look AHEAD, pessoas com diabetes tipo 2 que fizeram uma mudança intensiva de estilo de vida perderam, em média, 8,6% do peso em um ano (Look AHEAD Research Group, Diabetes Care, 2007).
Mas, para quem tem obesidade instalada, emagrecer e manter só com dieta e atividade física é muito difícil. Não é falta de força de vontade: existe uma cascata hormonal e metabólica alterada. Depois que a pessoa emagrece, os hormônios da fome e da saciedade se desajustam: o hormônio da fome aumenta e o da saciedade diminui, e isso continua pelo menos um ano depois (Sumithran e colaboradores, New England Journal of Medicine, 2011). Um estudo calculou o tamanho dessa reação: a cada 1 kg perdido, o apetite empurra a pessoa a comer cerca de 100 calorias a mais por dia, enquanto o gasto de energia do corpo cai menos de um terço disso, algo em torno de 30 calorias (Polidori e colaboradores, Obesity, 2016). É o corpo lutando para voltar ao peso de antes.
Quando o remédio entra junto com os hábitos, a diferença aparece. No estudo SURMOUNT-1, quem usou tirzepatida com orientação de estilo de vida perdeu de 15% a 21% do peso em 72 semanas; quem recebeu placebo com a mesma orientação perdeu 3,1% (Jastreboff e colaboradores, New England Journal of Medicine, 2022).
E se eu quiser tentar sem remédio primeiro?
É uma possibilidade, sim. Mas precisa entender todo o seu contexto: metabólico, genético e a sua história com o peso.
Quando faz sentido, a gente começa organizando os outros pilares do tratamento:
- alimentação;
- atividade física;
- sono;
- metabolismo e hormônios;
- vitaminas;
- intestino;
- emoções, como a ansiedade e a compulsão alimentar.
Se, com todos esses pilares organizados, o resultado não vier, a gente entra com a medicação. Agora, se você já tem obesidade e já tentou sem conseguir, eu mostro com sinceridade que o caminho que realmente traz resultado inclui a medicação. A própria diretriz da ABESO diz que exigir um período sem remédio antes de começar o tratamento, em quem já tem indicação, pode ser contraproducente.
Por que eu tentei anos sozinha e não consegui?
Se você tentou anos sozinha e não conseguiu, provavelmente é porque não teve acesso a todas as possibilidades de tratamento. A obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial. São hormônios alterados, que não dependem só da sua vontade.
E fazer sozinha é muito difícil. Tem momento em que você desanima. Tem momento em que aparece um efeito colateral do remédio e você não entende o que está acontecendo, e a tendência é desistir.
Com acompanhamento médico, os pilares são ajustados juntos: alimentação e atividade física, que são imprescindíveis, mas também a parte metabólica, hormonal e de vitaminas. Foi por isso que eu criei o programa de acompanhamento no consultório: as consultas já saem agendadas, eu entro em contato toda semana para saber os desafios daquela semana e, se precisar de algum ajuste, a gente está ali pertinho. Eu ando de mãos dadas com a paciente.
Existe quem não precise de remédio?
Existe, mas é a exceção, não a regra. Em geral, são pessoas que ainda não têm a obesidade instalada, com um metabolismo mais favorável e sem a inflamação já estabelecida no corpo.
Também existem casos em que o ganho de peso tem uma causa hormonal específica, como o hipotireoidismo ou a síndrome de Cushing. Nesses casos, investigar e tratar a causa é o primeiro passo. Por isso a avaliação completa vem antes de qualquer decisão sobre remédio.
O remédio resolve sozinho?
Não. A medicação é um dos pilares do tratamento da obesidade, tão importante quanto os outros, mas sozinha ela não sustenta o resultado. Expliquei isso com mais detalhes no artigo caneta para emagrecer: vou precisar usar para sempre? e no texto sobre os pilares da medicina do estilo de vida no controle do peso feminino.
Quando procurar o médico
- Se você já tentou emagrecer várias vezes e o peso sempre volta.
- Se a sua cintura aumentou ou você tem pressão alta, glicose alterada ou colesterol alterado.
- Se você está pensando em começar um remédio para emagrecer: nunca comece por conta própria.
Perguntas frequentes
Preciso fazer exames antes de começar?
Sim. A decisão sobre o remédio vem depois da avaliação completa: a sua história, o exame físico e os exames, para entender o seu metabolismo e descartar causas hormonais do ganho de peso.
Posso usar o remédio que deu certo para uma amiga?
Não. O melhor tratamento para uma pessoa pode não servir para outra, porque o metabolismo, a genética e os hormônios são diferentes. A escolha do remédio e da dose é sempre individual.
Se eu começar o remédio, posso deixar a dieta de lado?
Não. A diretriz da ABESO recomenda que a mudança de estilo de vida aconteça junto com o remédio desde o início.
Quer entender se o remédio faz sentido para você?
A resposta está na sua história. Atendo em Sobral e online, com consulta sem pressa e acompanhamento ao longo do caminho. Fale com a equipe pelo WhatsApp.
Dra. Samille Frota, médica endocrinologista · CRM-CE 11269 · RQE 6217
Atendimento em Sobral, CE, presencial e online.
Publicado em 1 de novembro de 2026 · Revisado em 1 de novembro de 2026Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.



