Não existe um melhor remédio para obesidade que sirva para todo mundo. O melhor remédio é o que combina com o seu metabolismo, a sua história, o seu jeito de comer e as suas outras doenças, e essa escolha é feita na consulta.
Essa é uma das perguntas que eu mais escuto nos meus atendimentos. E a resposta honesta é que o remédio que fez maravilha para uma pessoa pode não funcionar para outra.
Quais remédios para obesidade existem no Brasil?
A Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade 2026, da ABESO, lista os remédios aprovados para obesidade no Brasil: liraglutida, semaglutida, tirzepatida, naltrexona com bupropiona, sibutramina e orlistate. A mesma diretriz registra que nenhum deles está disponível no SUS.
Eles agem de formas diferentes. Alguns atuam nos hormônios que controlam a fome e a saciedade, outros no centro do apetite no cérebro, e outros na absorção da gordura no intestino. Por isso não dá para trocar um pelo outro como se fossem iguais.
Existe ainda um remédio que não é para obesidade, mas pode entrar no tratamento de quem tem compulsão alimentar, que é uma causa importante de ganho de peso: a lisdexanfetamina. No Brasil, a bula aprovada indica esse remédio para o transtorno de compulsão alimentar em adultos, não para emagrecer. É um remédio controlado, que só pode ser usado com indicação e acompanhamento médico.
Por que não existe um remédio melhor para todos?
Porque a escolha é feita sempre de forma individualizada, respeitando a sua história de vida e os seus hábitos. A diretriz da ABESO diz exatamente isso: o remédio é escolhido de acordo com as metas do tratamento, as doenças associadas, as contraindicações, a tolerância, o custo e os padrões de comportamento alimentar.
Na consulta, um dos pontos que eu mais observo é o padrão de alimentação, junto com a compulsão alimentar e a ansiedade:
- padrão hiperfágico: quem come uma quantidade grande no momento da refeição, em horários certos do dia;
- padrão beliscador: quem nem come tanto de uma vez, mas está sempre beliscando ao longo do dia;
- comedor noturno: quem concentra boa parte da alimentação à noite. Nos critérios usados em pesquisa, a síndrome do comer noturno é considerada quando pelo menos 25% de tudo o que a pessoa come no dia vem depois do jantar, ou quando ela acorda para comer pelo menos duas vezes por semana (Allison e colaboradores, International Journal of Eating Disorders, 2010).
Cada um desses padrões pede uma estratégia diferente, e às vezes um remédio diferente.
E os estudos que comparam os remédios?
Existem, e eles ajudam. No estudo SURMOUNT-5, que comparou diretamente as duas canetas mais usadas hoje, quem usou tirzepatida perdeu em média 20,2% do peso em 72 semanas, e quem usou semaglutida perdeu 13,7% (Aronne e colaboradores, New England Journal of Medicine, 2025).
Mas o remédio que mais emagrece na média do estudo não é automaticamente o melhor para você. Conta como o seu corpo tolera, as outras doenças que você tem e o que é possível manter a longo prazo.
Quando outra doença decide a escolha?
Algumas situações mudam a escolha. A diretriz da ABESO recomenda, por exemplo:
- semaglutida para quem tem obesidade e doença cardiovascular, para reduzir eventos do coração;
- semaglutida ou tirzepatida para quem tem insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada;
- tirzepatida para quem tem obesidade e apneia do sono moderada ou grave;
- e não recomenda a sibutramina para quem tem doença cardiovascular.
Por isso a avaliação completa vem antes da receita.
Por que o remédio da minha amiga não funcionou em mim?
Porque vocês têm histórias de vida, padrões alimentares, hormônios, metabolismo e genética diferentes. Quando uma paciente chega pedindo um remédio específico, que viu na internet ou que a amiga usou, eu explico que primeiro a gente precisa entender a história de perda de peso, a genética, o metabolismo e os hormônios dela. Se tudo isso combinar com aquele remédio, ele pode fazer sentido. Se não, existe outro mais alinhado à história dela, inclusive à parte emocional.
E se o remédio não funcionar?
A gente avalia com critério. A diretriz da Endocrine Society orienta continuar o remédio quando a pessoa perde pelo menos 5% do peso em 3 meses; se isso não acontece, ou se aparecem efeitos colaterais importantes, o remédio é suspenso e outra opção é considerada (Apovian e colaboradores, Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, 2015). É o mesmo critério que eu uso no consultório.
Já os efeitos colaterais do começo, como enjoo e mudanças no intestino, costumam melhorar. Nos estudos com as canetas, a maioria desses efeitos foi leve a moderada e apareceu principalmente na fase de aumento da dose (Aronne e colaboradores, 2025). Na prática, a maior parte do que aparece nos primeiros meses a gente consegue contornar enquanto o corpo se adapta. Por isso a importância de um acompanhamento mais de perto durante todo o tratamento.
E o custo?
É uma pergunta justa. A própria diretriz da ABESO reconhece o custo como uma das principais barreiras do tratamento, já que nenhum desses remédios está no SUS. Na consulta, a conversa começa pelo que você precisa e pelo que o tratamento pode trazer para a sua saúde e para a sua qualidade de vida. A partir daí, a gente escolhe junto o caminho que faz sentido para você.
Se quiser entender quando o remédio entra no tratamento, escrevi sobre isso em preciso mesmo de remédio para emagrecer? e sobre quanto tempo ele dura em caneta para emagrecer: vou precisar usar para sempre?.
Quando procurar o médico imediatamente
- Antes de começar qualquer remédio para emagrecer: nunca comece por conta própria.
- Se, usando o remédio, aparecer dor abdominal intensa e persistente, que pode ir para as costas, com náusea ou vômito: procure atendimento médico imediato (alerta da Anvisa).
Perguntas frequentes
O remédio mais caro é o melhor?
Não necessariamente. O melhor é o que combina com a sua história, o seu perfil alimentar e as possíveis doenças associadas.
Posso trocar de remédio por conta própria?
Não. A troca é decidida em consulta, olhando o seu resultado, os efeitos colaterais e o seu momento.
Dá para usar mais de um remédio ao mesmo tempo?
Em alguns casos, sim. A diretriz da ABESO considera a combinação quando um remédio sozinho não é suficiente, mas essa decisão é sempre individual.
Quer descobrir qual caminho faz sentido para você?
A escolha começa pela sua história. Atendo em Sobral e online, com consulta sem pressa e acompanhamento ao longo do caminho. Fale com a equipe pelo WhatsApp.
Dra. Samille Frota, médica endocrinologista · CRM-CE 11269 · RQE 6217
Atendimento em Sobral, CE, presencial e online.
Publicado em 2 de novembro de 2026 · Revisado em 2 de novembro de 2026Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.



