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Retrato da Dra. Samille Frota, médica endocrinologista, de blusa branca, com a mão apoiada no queixo

Qual o melhor remédio para obesidade?

Índice

Não existe um melhor remédio para obesidade que sirva para todo mundo. O melhor remédio é o que combina com o seu metabolismo, a sua história, o seu jeito de comer e as suas outras doenças, e essa escolha é feita na consulta.

Essa é uma das perguntas que eu mais escuto nos meus atendimentos. E a resposta honesta é que o remédio que fez maravilha para uma pessoa pode não funcionar para outra.

Quais remédios para obesidade existem no Brasil?

A Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade 2026, da ABESO, lista os remédios aprovados para obesidade no Brasil: liraglutida, semaglutida, tirzepatida, naltrexona com bupropiona, sibutramina e orlistate. A mesma diretriz registra que nenhum deles está disponível no SUS.

Eles agem de formas diferentes. Alguns atuam nos hormônios que controlam a fome e a saciedade, outros no centro do apetite no cérebro, e outros na absorção da gordura no intestino. Por isso não dá para trocar um pelo outro como se fossem iguais.

Existe ainda um remédio que não é para obesidade, mas pode entrar no tratamento de quem tem compulsão alimentar, que é uma causa importante de ganho de peso: a lisdexanfetamina. No Brasil, a bula aprovada indica esse remédio para o transtorno de compulsão alimentar em adultos, não para emagrecer. É um remédio controlado, que só pode ser usado com indicação e acompanhamento médico.

Por que não existe um remédio melhor para todos?

Porque a escolha é feita sempre de forma individualizada, respeitando a sua história de vida e os seus hábitos. A diretriz da ABESO diz exatamente isso: o remédio é escolhido de acordo com as metas do tratamento, as doenças associadas, as contraindicações, a tolerância, o custo e os padrões de comportamento alimentar.

Na consulta, um dos pontos que eu mais observo é o padrão de alimentação, junto com a compulsão alimentar e a ansiedade:

  • padrão hiperfágico: quem come uma quantidade grande no momento da refeição, em horários certos do dia;
  • padrão beliscador: quem nem come tanto de uma vez, mas está sempre beliscando ao longo do dia;
  • comedor noturno: quem concentra boa parte da alimentação à noite. Nos critérios usados em pesquisa, a síndrome do comer noturno é considerada quando pelo menos 25% de tudo o que a pessoa come no dia vem depois do jantar, ou quando ela acorda para comer pelo menos duas vezes por semana (Allison e colaboradores, International Journal of Eating Disorders, 2010).

Cada um desses padrões pede uma estratégia diferente, e às vezes um remédio diferente.

E os estudos que comparam os remédios?

Existem, e eles ajudam. No estudo SURMOUNT-5, que comparou diretamente as duas canetas mais usadas hoje, quem usou tirzepatida perdeu em média 20,2% do peso em 72 semanas, e quem usou semaglutida perdeu 13,7% (Aronne e colaboradores, New England Journal of Medicine, 2025).

Mas o remédio que mais emagrece na média do estudo não é automaticamente o melhor para você. Conta como o seu corpo tolera, as outras doenças que você tem e o que é possível manter a longo prazo.

Quando outra doença decide a escolha?

Algumas situações mudam a escolha. A diretriz da ABESO recomenda, por exemplo:

  • semaglutida para quem tem obesidade e doença cardiovascular, para reduzir eventos do coração;
  • semaglutida ou tirzepatida para quem tem insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada;
  • tirzepatida para quem tem obesidade e apneia do sono moderada ou grave;
  • e não recomenda a sibutramina para quem tem doença cardiovascular.

Por isso a avaliação completa vem antes da receita.

Por que o remédio da minha amiga não funcionou em mim?

Porque vocês têm histórias de vida, padrões alimentares, hormônios, metabolismo e genética diferentes. Quando uma paciente chega pedindo um remédio específico, que viu na internet ou que a amiga usou, eu explico que primeiro a gente precisa entender a história de perda de peso, a genética, o metabolismo e os hormônios dela. Se tudo isso combinar com aquele remédio, ele pode fazer sentido. Se não, existe outro mais alinhado à história dela, inclusive à parte emocional.

E se o remédio não funcionar?

A gente avalia com critério. A diretriz da Endocrine Society orienta continuar o remédio quando a pessoa perde pelo menos 5% do peso em 3 meses; se isso não acontece, ou se aparecem efeitos colaterais importantes, o remédio é suspenso e outra opção é considerada (Apovian e colaboradores, Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, 2015). É o mesmo critério que eu uso no consultório.

Já os efeitos colaterais do começo, como enjoo e mudanças no intestino, costumam melhorar. Nos estudos com as canetas, a maioria desses efeitos foi leve a moderada e apareceu principalmente na fase de aumento da dose (Aronne e colaboradores, 2025). Na prática, a maior parte do que aparece nos primeiros meses a gente consegue contornar enquanto o corpo se adapta. Por isso a importância de um acompanhamento mais de perto durante todo o tratamento.

E o custo?

É uma pergunta justa. A própria diretriz da ABESO reconhece o custo como uma das principais barreiras do tratamento, já que nenhum desses remédios está no SUS. Na consulta, a conversa começa pelo que você precisa e pelo que o tratamento pode trazer para a sua saúde e para a sua qualidade de vida. A partir daí, a gente escolhe junto o caminho que faz sentido para você.

Se quiser entender quando o remédio entra no tratamento, escrevi sobre isso em preciso mesmo de remédio para emagrecer? e sobre quanto tempo ele dura em caneta para emagrecer: vou precisar usar para sempre?.

Quando procurar o médico imediatamente

  • Antes de começar qualquer remédio para emagrecer: nunca comece por conta própria.
  • Se, usando o remédio, aparecer dor abdominal intensa e persistente, que pode ir para as costas, com náusea ou vômito: procure atendimento médico imediato (alerta da Anvisa).

Perguntas frequentes

O remédio mais caro é o melhor?

Não necessariamente. O melhor é o que combina com a sua história, o seu perfil alimentar e as possíveis doenças associadas.

Posso trocar de remédio por conta própria?

Não. A troca é decidida em consulta, olhando o seu resultado, os efeitos colaterais e o seu momento.

Dá para usar mais de um remédio ao mesmo tempo?

Em alguns casos, sim. A diretriz da ABESO considera a combinação quando um remédio sozinho não é suficiente, mas essa decisão é sempre individual.

Quer descobrir qual caminho faz sentido para você?

A escolha começa pela sua história. Atendo em Sobral e online, com consulta sem pressa e acompanhamento ao longo do caminho. Fale com a equipe pelo WhatsApp.


Dra. Samille Frota, médica endocrinologista · CRM-CE 11269 · RQE 6217
Atendimento em Sobral, CE, presencial e online.
Publicado em 2 de novembro de 2026 · Revisado em 2 de novembro de 2026

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

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